Herrera: o capitão que não vai deixar saudades

Hector Herrera oficializou hoje a sua saída do FC Porto. Num comunicado dirigido aos adeptos portistas e às pessoas com quem trabalhou na nossa grande instituição, o antigo capitão agradeceu pelos 6 anos de dragão ao peito e despediu-se com um "até já". Enquanto jogador, Herrera foi um jogador determinante (principalmente nestes últimos dois anos), e será certo que a equipa irá ressentir-se desta perda, mas enquanto capitão as saudades deixadas serão poucas ou nulas.
Herrera chegou ao FC Porto no verão de 2013, e foi-lhe entregue a importante e dura tarefa de substituir João Moutinho. Ao contrário que os adeptos e, possivelmente, a SAD esperava, Herrera não se exibiu a grande nível nos primeiros tempos no FC Porto (para não dizer primeiros anos). Apesar disso, o médio mexicano foi quase sempre titular ao longo dos seis anos em que vestiu a nossa camisola. Ao longo de quatro épocas, foram muitos os adeptos que se questionavam do porquê de um dos "patinhos feios" da equipa ser quase sempre titular
Herrera começou a destacar-se muito, pela positiva, com a chegada de Sérgio Conceição. O nosso treinador conseguiu "espremer" o mexicano e passou a ser uma peça ainda mais determinante no meio-campo portista, tendo realizado grandes exibição e tendo marcado golos determinantes, como aquele mítico golo no estádio da Luz que deixou o FC Porto a meio passo do título.
O FC Porto irá sentir muita falta do jogador Herrera destas duas últimas épocas, pelo menos nestes primeiros tempos, mas não irá sentir saudades do capitão Herrera. O antigo capitão fui subindo na hierarquia da equipa à medida que foram saindo jogadores importantes, até ao dia em que a braçadeira de capitão lhe chegou ao braço. Muitos questionaram do porquê de Hector ter sido o escolhido como capitão do FC Porto, para além dos largos anos que vestia a camisola do FC Porto, mas a mensagem que passavam de dentro, até de Sérgio Conceição, era a de que ele era o capitão ideal para o clube. Talvez tenha sido dentro do balneário, mas a imagem que deitou cá para fora não foi essa; pelo menos não para um capitão "à Porto".
Tratar o FC Porto como "mi actual club" num comunicado a justificar a sua ausência da convocatória da seleção Mexicana não fica bem para um capitão "à Porto". Festejar um golo como festejou no último jogo do da época passada, quando o campeonato já estava oficialmente perdido, não é coisa de um capitão "à Porto". Colocar nas redes sociais uma sequência de nove fotos suas no lance desse golo e não deixar uma palavra quando ao campeonato perdido, deixando apenas um emoji de mão a rezar, não é não é coisa de um capitão "à Porto". Dizer que o campeonato foi perdido por demérito próprio e não referir os "roubos de igreja" que assombram esta liga não é coisa de um capitão "à Porto".
Não renovar contrato com o FC Porto, nem que seja para deixar alguns milhões, não é coisa de um capitão "à Porto". Herrera teve todo o direito de não renovar com o FC Porto para procurar um clube que lhe ofereça um salário melhor, contudo foram alguns os jogadores que renovaram para deixar algum dinheiro no clube, e nem que sequer eram capitães.
A culpa de o FC Porto ter perdido aproximadamente 30 milhões de euros não é só do jogador. Já a entrar no último ano de contrato, o FC Porto recebeu boas propostas pelo Herrera, mas a SAD queria mais dinheiro e estava confiante que ele iria renovar contrato. Há quase um ano, o agente de Herrera disse que a renovação de contrato iria ser discutida após o fecho do mercado. Comentei isso dizendo que a SAD não deveria cometer o mesmo erro que cometeu no passado, por isso deveria vender Herrera caso não renovasse antes do fecho do mercado, se não poderia perder imenso dinheiro. Fui duramente criticado e foram alguns os portistas que deixaram de seguir esta página, defendendo o portismo de Herrera e dizendo que não iria prejudicar o FC Porto. A SAD deve ter também acreditado nisso, mas Herrera não foi um capitão "à Porto", pelo menos não do FC Porto que conquistou títulos nacionais e europeus, mas sim "à Porto atual, que anda desnorteado e ao sabor do vento.
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